Por onde andam as luzes da navegação? O mastro está confuso, eu também estou. Um vaivém de emoções e pessoas tem me roubado o chão, a paz e o sono. Vontade de me jogar no mar, atirar água no rosto, sabendo que é só aquela onda e eu, e mais nada, e mais ninguém. Descanso, de mim. Gritos abafados, lágrimas sufocadas, laços cheios de nós. Nós cegos, e doídos, extremamente doídos!
Quando volto pro meu mundo, logo devo me despedir. Estou nas palavras só de passagem - nem eu mesmo tenho horário em minha agenda. Faz parte da vida segurar o fôlego quando mergulhamos nesse profundo mar. São dois caminhos: ou nos afogamos, ou voltamos pra superfície - mesmo que seja só pra tomar um pouco de ar e logo imergir. Que o oxigênio continue me esperando, beirando essa margem líquida da minha falta de freio.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
As batidas do relógio-coração.
Amanhã é um longo dia. Até agora indecifrável e inimaginável. Distante, doente, inconstante, influente... O amanhã é uma surpresa que um dia vai falhar a rotina. É uma certeza que em um piscar de olhos vai perder o gosto de vida que um dia teve. O amanhã? Ele praticamente não existe.
Todo o momento que passa é blindado - ele passou, ele está seguro. Certamente existiu, mas nunca mais voltará. Fica talvez na memória desbotada de nossas cabeças relapsas que esqueceram do almoço da semana passada. O passado, coitado, tão ignorado, mas muitas vezes doloroso e um tanto nostálgico. O que se foi pelo moinho da vida machuca muito mais do que a própria realidade muitas vezes. A lembrança do passado inquieta o presente, ansioso roendo as unhas a esperar os resultados. Mas e o presente? Tão rápido, mal podemos sentir seu balançar. Ofegantes, tentamos alcançá-lo, mas é demasiado agitado, e suas tribulações só nos fazem sacudir de um lado a outro, à espera da calmaria no futuro, e do entendimento quando tudo passar... Quando já for passado.
Mas se um dia, no ápice de meus sonhos, por algum motivo me deparar com esta figura que disseram para chamar de Tempo, a mão eu lhe daria a fim de que me concedesse uma última dança.
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Sufoco.
Talvez o sufoco, essa falta de ar puro e feliz seja uma boa situação para as palavras trancafiadas conquistarem liberdade. Canso meus pensamentos tentando solucionar fatos que ainda não existem. E, em um belo dia, que de belo só tinha a palavra na expressão irônica, o balde vem. Gelado, imobilizador, congelante. Meus passos começam a ser milimetricamente contados, tamanha é a dificuldade de executá-los de uma maneira real. Passei a habitar em terra que não tem dono. Coração de ninguém. As coisas não têm o mesmo sentido.
Mas palhaçada mesmo. O pior veneno é a palavra que me soa verdadeira. Porque nela confio cegamente. E cegamente me enlaço em um redemoinho de ilusões sádicas. Sentimentos virtuais - pouco, muito pouco palpáveis.
Também me dói a inércia. A carência de horizontes. Sem perspectiva, não há o que se contemplar. Atitude: eu admiro quem tem.
A raiva tomou minhas mãos e precisei escrever. Estrangulada pelo enjoo é como me sinto. Não consigo, nem por um momento, tranquilizar meu coração. Essa linha da vida... Pondo tudo no lugar inesperado, errado, confuso e retorcido. Contorcido. Nem sei mais por onde começar. Nem sei mais como se começa.
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Do amor verdadeiro.
Começamos a falar e falar, e parece que todas as frases tomam nosso corpo como se fossem oxigênio. Sentimento vivo pulsando nas veias.
Tento e tento mas não parece funcionar. Meu coração, que nem as palavras conseguem preencher, fica vagando de uma lado a outro, procurando em outro pulsante um recanto pra se amornar. Quando não se está apaixonado, corre-se muito. Mas eu sei bem que esse avalanche de experiências que vivemos no amor tem sua hora.
O amor... Não é simplesmente uma escola onde há rodízio de professores que alguns erroneamente chamam de ex-namorados, ex-namoradas, enfim, os que já foram. Não é um corpo que se usa, abusa, vira do avesso e do avesso denovo para acabar abandonando e dizendo: "O problema sou eu.". Amor não é explodir por alguém, matar por alguém, enlouquecer por alguém. Isso é imaturidade e obsessão. Amor é suave, doce, com cheiro de morango fresco. Amor é mais que sentir a pele do outro. Amor é sentir o jeito do outro, o sorriso do outro, o defeito, a dor, tudo o que puder vir de dentro do outro e ele compartilhar com você.
Não existe amor carnal. Existe paixão, fogo de palha que se espalha e logo se retém. Existe estardalhaço, que faz bagunça na casa toda, mas logo, logo um grito já resolve tudo e todos se esquecem.
O amor é o sentimento que veio primeiro por parte dAquele que nos criou. Por isso deve ser lindo, zelado e mantido o mais puro possível, para que não se perca seu fim.
Amor de verdade, esse sim eu quero um pra mim.
Um, e ponto. Sem alardes, sem testes nem aprendizados com professores desinteressados. Aprendo com Aquele que me amou primeiro e deu a vida por mim. Foi gentil, amável, perdoou-me e eu lhe amo. Que todos nós saibamos um dia o que o amor real é capaz de nos fazer sentir.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Namore uma garota que lê.
Esse é um daqueles textos que vale a pena copiar. Principalmente pela última.
Namore uma garota que gasta seu dinheiro em livros, em vez de roupas. Ela também tem problemas com o espaço do armário, mas é só porque tem livros demais. Namore uma garota que tem uma lista de livros que quer ler e que possui seu cartão de biblioteca desde os doze anos.
Encontre uma garota que lê. Você sabe que ela lê porque ela sempre vai ter um livro não lido na bolsa. Ela é aquela que olha amorosamente para as prateleiras da livraria, a única que surta (ainda que em silêncio) quando encontra o livro que quer. Você está vendo uma garota estranha cheirar as páginas de um livro antigo em um sebo? Essa é a leitora. Nunca resiste a cheirar as páginas, especialmente quando ficaram amarelas.
Encontre uma garota que lê. Você sabe que ela lê porque ela sempre vai ter um livro não lido na bolsa. Ela é aquela que olha amorosamente para as prateleiras da livraria, a única que surta (ainda que em silêncio) quando encontra o livro que quer. Você está vendo uma garota estranha cheirar as páginas de um livro antigo em um sebo? Essa é a leitora. Nunca resiste a cheirar as páginas, especialmente quando ficaram amarelas.
Ela é a garota que lê enquanto espera em um Café na rua. Se você espiar sua xícara, verá que a espuma do leite ainda flutua por sobre a bebida, porque ela está absorta. Perdida em um mundo criador pelo autor. Sente-se. Se quiser ela pode vê-lo de relance, porque a maior parte das garotas que leem não gostam de ser interrompidas. Pergunte se ela está gostando do livro.
Compre para ela outra xícara de café.
Diga o que realmente pensa sobre o Murakami. Descubra se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entenda que, se ela diz que compreendeu o Ulisses de James Joyce, é só para parecer inteligente. Pergunte se ela gosta ou gostaria de ser a Alice.
É fácil namorar uma garota que lê. Ofereça livros no aniversário dela, no Natal e em comemorações de namoro. Ofereça o dom das palavras na poesia, na música. Ofereça Neruda, Sexton Pound, cummings. Deixe que ela saiba que você entende que as palavras são amor. Entenda que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade mas, juro por Deus, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco como seu livro favorito. E se ela conseguir não será por sua causa.
Diga o que realmente pensa sobre o Murakami. Descubra se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entenda que, se ela diz que compreendeu o Ulisses de James Joyce, é só para parecer inteligente. Pergunte se ela gosta ou gostaria de ser a Alice.
É fácil namorar uma garota que lê. Ofereça livros no aniversário dela, no Natal e em comemorações de namoro. Ofereça o dom das palavras na poesia, na música. Ofereça Neruda, Sexton Pound, cummings. Deixe que ela saiba que você entende que as palavras são amor. Entenda que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade mas, juro por Deus, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco como seu livro favorito. E se ela conseguir não será por sua causa.
É que ela tem que arriscar, de alguma forma.
Minta. Se ela compreender sintaxe, vai perceber a sua necessidade de mentir. Por trás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. E isto nunca será o fim do mundo.
Minta. Se ela compreender sintaxe, vai perceber a sua necessidade de mentir. Por trás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. E isto nunca será o fim do mundo.
Trate de desiludi-la. Porque uma garota que lê sabe que o fracasso leva sempre ao clímax. Essas garotas sabem que todas as coisas chegam ao fim. E que sempre se pode escrever uma continuação. E que você pode começar outra vez e de novo, e continuar a ser o herói. E que na vida é preciso haver um vilão ou dois.
Por que ter medo de tudo o que você não é? As garotas que leem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Exceto as da série Crepúsculo.
Se você encontrar uma garota que leia, é melhor mantê-la por perto. Quando encontrá-la acordada às duas da manhã, chorando e apertando um livro contra o peito, prepare uma xícara de chá e abrace-a. Você pode perdê-la por um par de horas, mas ela sempre vai voltar para você. E falará como se as personagens do livro fossem reais – até porque, durante algum tempo, são mesmo.
Você tem de se declarar a ela em um balão de ar quente. Ou durante um show de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Ou pelo Skype.
Você vai sorrir tanto que acabará por se perguntar por que é que o seu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Vocês escreverão a história das suas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos mais estranhos ainda. Ela vai apresentar os seus filhos ao Gato do Chapéu [Cat in the Hat] e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos de suas velhices, e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto você sacode a neve das botas.
Você tem de se declarar a ela em um balão de ar quente. Ou durante um show de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Ou pelo Skype.
Você vai sorrir tanto que acabará por se perguntar por que é que o seu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Vocês escreverão a história das suas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos mais estranhos ainda. Ela vai apresentar os seus filhos ao Gato do Chapéu [Cat in the Hat] e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos de suas velhices, e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto você sacode a neve das botas.
Namore uma garota que lê porque você merece. Merece uma garota que pode te dar a vida mais colorida que você puder imaginar. Se você só puder oferecer-lhe monotonia, horas requentadas e propostas meia-boca, então estará melhor sozinho. Mas se quiser o mundo, e outros mundos além, namore uma garota que lê.
Ou, melhor ainda, namore uma garota que escreve.
Texto original: Date a girl who reads – Rosemary Urquico
Tradução e adaptação – Gabriela Ventura
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