domingo, 14 de outubro de 2012

Radioactive.

Muita camuflagem, muitos camuflados. Inocentes.
A música diz: "Welcome to the new age, to the new age."
E todos aplaudem o grande espetáculo atômico! Sujos de poeira e química, intoxicados com o sistema fétido. Todos nós.
Como se vivêssemos no meio do verde cru e limpo, concordamos com todo o lixo jogado dentro de nossos quintais pensantes. E ficamos aí, aceitando sujeira, vomitando horror e tóxicos, reproduzindo nas roupas e nas revoltas nada mais que nossa própria morte. Radioativos, aí estão vocês! Disfarçados causando nosso homicídio. Os bobos da corte não se dão conta de seu pseudo-suicídio. Tolos que somos.
Parecemos até vendados. Cegos gritando por liberdade. Aliás, nem sei se ainda gritam. Ou talvez nossos gritos façam parte do espetáculo que eles adoram ver, os bobos urrando.
Toxinas na poeira dos sapatos, nos comerciais, na politicagem, na esquina. Qualquer esquina.
Ninguém é outdoor de ninguém. Alguém me disse que o controle dessa câmara pode ser desativado...
E então acabou! Coloquem as máscaras! Fechem o gás!

terça-feira, 9 de outubro de 2012

A felicidade é para raros.

Foi com um céu estrelado e muitos risos que eu preenchi aquele dia que poderia ter sido um desastre, um completo desastre. As estrelas pareciam faróis me dando um rumo - estava desnorteada, com o coração aflito e orgulhoso. Mas aquelas estrelas no céu e aquelas outras aqui, pertinho de mim... A luz que resplandecia de mim foi o que fermentou minha felicidade instantânea.
São poucos os que entendem o que significa a alegria. Deitada na grama buscando figuras nas nuvens, entendi que tenho um universo tão meu que fica quase difícil enxergá-lo. Lindo. As estrelas me apontaram o caminho. Minhas gargalhadas, e minhas lágrimas sufocadas durante a noite foram meus melhores antídotos. O prazer da companhia deles. Os inseparáveis, os irmãos pra toda e qualquer hora. O sábado contente e bobo, inocente como só aquele dia foi. Destemida de preconceitos, joguei-me nas brincadeiras e nas tagarelices, e lá se foi a minha tristeza, coitada. Suicidou-se.
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Tantas constelações no céu e eu com a minha aqui na Terra. Astros, astros divinos. Eternizaria aquele dia como um dos mais valiosos. E então eu me dou por conta da felicidade que me cerca: o lençol verde que me cobre quando deito na grama para olhar o céu, a sombra das árvores em uma tarde com um violão, as flores no chão anunciando a querida PrimaVera. A ilustração da paz é muitas vezes apagada pelo borrão da infelicidade. Limpemos nossos cenários, que a raridade da alegria inquiete cada segundo que já passou
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terça-feira, 25 de setembro de 2012

Sobre a longa noite de tempestade.

O desenho das lágrimas escorregando pelo meu rosto formavam um rastro pouco agradável em minha pele. Uma torrente de água salgada borrando meu delineador e desafogando meu coração. Eu precisava me esvaziar. Eu precisava me resgatar das dores nas quais havia imergido. A superfície agora dói de ser vista, sentida, vivida. E estamos recém no começo, o que me faz entender que talvez essa caminhada seja um pouco mais dolorosa.
Não é como se fosse a primeira vez, mas com certeza neste momento não é isso que importa. O impacto de não ser uma dor pioneira é muito mais forte, talvez porque eu não estivesse pronta pra deixar doer tanto, como ainda não havia acontecido. São milhas e milhas de lágrimas, de passos dados pra longe do meu porto seguro e de motivos pra ter que ir embora. Não me reconheço, porque nunca fui das mazelas. Fico enlaçada em meus próprios versos. Separações com despedidas, horrendas despedidas. Como é doce o gosto da fuga nesse momento!
Ou então a covardia me tomou e não sei como me livrar de suas algemas. Meus pulsos latejam com dor e raiva por não conseguirem se soltar, meu coração crepita de saudade. Envolver-me-ia em todos aqueles abraços por um dia inteiro. Meus olhos já não distinguem nada, são dois oceanos. Quão bom seria nadar até vocês agora, e deixasse esse tornado pra trás. Juntos em nossa ilha segura.

domingo, 5 de agosto de 2012

Gigantes nas alturas.

A casa na árvore - a tão sonhada casa na árvore. Nunca tive uma, mas comecei a querê-la depois de alguns anos. Alguns sonhos precisam amadurecer, mas outros só surgem quando nós amadurecemos primeiro.
Como se chega lá? na casa, na árvore, não sei... Mas eu queria chegar lá. Por enquanto. Os "enquantos" vão acontecendo e parece que vamos nos distanciando mais e mais de nossos lindos sonhos.
Alguns dizem que eu seria uma boa atriz. Mal sabem eles que por muito tempo foi essa a minha ambição. E acho que até eu mesma mal sei que esse um dia foi um possível futuro.
Para onde vão esses devaneios? Para um cemitério de histórias pela metade? Porque depois que eles morrem, não lembramos mais. São tão pequenos no passado, tão incolores, que passam pela boca dos outros e nem nos recordamos. Talvez uma tia daquelas que sempre pergunta dos namorados ainda lembre dos sonhos enferrujados. Ou nem ela. Nem eu nem você. Mais ninguém. Poeira que não precisa sair do lugar.
Mas se eles tem asas e scripts e são fortes, mais fortes do que nossa falha resistência em mantê-los conosco, então eles devem ir para um bom lugar. Talvez um lugar de uma cor linda como o azul nos dias sem nuvens. E lá eles devem confraternizar, e quem sabe tentem se completar e sintam alegria por algum ou muitos momentos, mesmo que fracassados. Porque, na verdade, não entendo bem quais são os maiores fracassados. Pode ser que sejam nossos deslumbres órfãos. Ou os órfaos somos nós.


terça-feira, 19 de junho de 2012

Salto Agulha

Fase da vida, nome de esmalte, música de uma banda legal... Salto agulha. Cravando a  mesma menina no chão, enraizando como se fosse mulher... Salto agulha. A dor de estar bamba, insegura e sem ninguém pra se apoiar... Salto agulha. O fino, elegante, o sapato da boneca... Salto agulha. E a maneira como ardem os pés, a vontade gritante no peito de parar, descer, tirar tudo o que incomoda do lugar... Salto agulha. A convencida, pisa com força no mundo alheio, esmaga quem está em baixo... Salto agulha. E se ela cai? E se a gente cai? Se descemos do salto? Soltam fagulhas.