terça-feira, 25 de setembro de 2012

Sobre a longa noite de tempestade.

O desenho das lágrimas escorregando pelo meu rosto formavam um rastro pouco agradável em minha pele. Uma torrente de água salgada borrando meu delineador e desafogando meu coração. Eu precisava me esvaziar. Eu precisava me resgatar das dores nas quais havia imergido. A superfície agora dói de ser vista, sentida, vivida. E estamos recém no começo, o que me faz entender que talvez essa caminhada seja um pouco mais dolorosa.
Não é como se fosse a primeira vez, mas com certeza neste momento não é isso que importa. O impacto de não ser uma dor pioneira é muito mais forte, talvez porque eu não estivesse pronta pra deixar doer tanto, como ainda não havia acontecido. São milhas e milhas de lágrimas, de passos dados pra longe do meu porto seguro e de motivos pra ter que ir embora. Não me reconheço, porque nunca fui das mazelas. Fico enlaçada em meus próprios versos. Separações com despedidas, horrendas despedidas. Como é doce o gosto da fuga nesse momento!
Ou então a covardia me tomou e não sei como me livrar de suas algemas. Meus pulsos latejam com dor e raiva por não conseguirem se soltar, meu coração crepita de saudade. Envolver-me-ia em todos aqueles abraços por um dia inteiro. Meus olhos já não distinguem nada, são dois oceanos. Quão bom seria nadar até vocês agora, e deixasse esse tornado pra trás. Juntos em nossa ilha segura.

domingo, 5 de agosto de 2012

Gigantes nas alturas.

A casa na árvore - a tão sonhada casa na árvore. Nunca tive uma, mas comecei a querê-la depois de alguns anos. Alguns sonhos precisam amadurecer, mas outros só surgem quando nós amadurecemos primeiro.
Como se chega lá? na casa, na árvore, não sei... Mas eu queria chegar lá. Por enquanto. Os "enquantos" vão acontecendo e parece que vamos nos distanciando mais e mais de nossos lindos sonhos.
Alguns dizem que eu seria uma boa atriz. Mal sabem eles que por muito tempo foi essa a minha ambição. E acho que até eu mesma mal sei que esse um dia foi um possível futuro.
Para onde vão esses devaneios? Para um cemitério de histórias pela metade? Porque depois que eles morrem, não lembramos mais. São tão pequenos no passado, tão incolores, que passam pela boca dos outros e nem nos recordamos. Talvez uma tia daquelas que sempre pergunta dos namorados ainda lembre dos sonhos enferrujados. Ou nem ela. Nem eu nem você. Mais ninguém. Poeira que não precisa sair do lugar.
Mas se eles tem asas e scripts e são fortes, mais fortes do que nossa falha resistência em mantê-los conosco, então eles devem ir para um bom lugar. Talvez um lugar de uma cor linda como o azul nos dias sem nuvens. E lá eles devem confraternizar, e quem sabe tentem se completar e sintam alegria por algum ou muitos momentos, mesmo que fracassados. Porque, na verdade, não entendo bem quais são os maiores fracassados. Pode ser que sejam nossos deslumbres órfãos. Ou os órfaos somos nós.


terça-feira, 19 de junho de 2012

Salto Agulha

Fase da vida, nome de esmalte, música de uma banda legal... Salto agulha. Cravando a  mesma menina no chão, enraizando como se fosse mulher... Salto agulha. A dor de estar bamba, insegura e sem ninguém pra se apoiar... Salto agulha. O fino, elegante, o sapato da boneca... Salto agulha. E a maneira como ardem os pés, a vontade gritante no peito de parar, descer, tirar tudo o que incomoda do lugar... Salto agulha. A convencida, pisa com força no mundo alheio, esmaga quem está em baixo... Salto agulha. E se ela cai? E se a gente cai? Se descemos do salto? Soltam fagulhas.






terça-feira, 17 de abril de 2012

Amor, ilusão e mais alguns sinônimos.

Amor... Banal. Sim, banal e corriqueiro - e muito distante ao mesmo tempo. Milhas e milhas distante do amor. Milhas e milhas doídas e corrosivas. Tempo sem estrada. Amor nem é mais amor, agora já é bobagem.
E quem disse que os românticos e apaixonados se dão bem? São sempre os mais coitados, os mais apaixonados e mais desiludidos. Mais mágoas, mais perguntas e menos respostas.
E eu queria simplesmente não acreditar. Nem idealizar, nem me fascinar. Eu queria ser pedra. Eu queria me desfazer desses laços que sempre ato em meu peito só pra enfeite. Só para o tempo passar mais leve e mais pesado. Só pra tudo parecer estabelecido e incompleto ao mesmo tempo. Amor... Eu não conheço faz tempo. Eu nem sei mais se existe. Como pode? É tão fascinante... Duas pessoas e o peito pulsando em harmonia. Duas bocas que se encontram pra falar a mesma língua. Dois planos perfeitos nas mãos de Deus. Um quebra-cabeça com mais de 7 bilhões de peças. Aqui eu fico, quase certa de que minha peça está perdida por aí, escondida demais pra se tornar real ainda hoje. Antes da meia-noite, prometa-me que não vai mais largar minha mão. Prometa-me que vais deixar meus sonhos fazerem parte da tua rotina. E o tempo está nos levando até nosso primeiro encontro, numa dança que, por mais cansativa que seja, sei que vai valer a pena. Vejo você dançando em meus sonhos.

segunda-feira, 2 de abril de 2012