sábado, 10 de março de 2012

Algumas linhas, folha em branco.

Isso é a realidade: minha folha em branco. Um mundo em branco, e tão cheio ao mesmo tempo! Minha folha em branco. Meu mundo calmo, brando. Um buraco negro tinge a névoa das minhas páginas - saudade, de tudo o que foi, que era, que ainda é meu. Será mesmo que é meu? Ainda sinto saudade. E a minha folha? Minha folha num canto. Cansei meus movimentos, estou em pausa da festa que sempre trouxe comigo. Não me pergunte o porquê, eu não saberia te responder... Mas a minha fé de que essa folha vai se preencher continua firme.

Já me rascunhei tantas vezes... Só mais uma... Só mais cinco minutinhos! Só mais um pedacinho de mim inteiro, acho que é isso que a situação pede. Um pedaço quase inteiro, a cabeça nas nuvens, e o coração sem paradouro. E o engraçado - muito e pouco tempo pra pensar. Quando nossa vida é um paradoxo, fica difícil entender o resto. Minha folha de prantos, hoje é dia de começarmos uma nova página.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Luzes da navegação.

Por onde andam as luzes da navegação? O mastro está confuso, eu também estou. Um vaivém de emoções e pessoas tem me roubado o chão, a paz e o sono. Vontade de me jogar no mar, atirar água no rosto, sabendo que é só aquela onda e eu, e mais nada, e mais ninguém. Descanso, de mim. Gritos abafados, lágrimas sufocadas, laços cheios de nós. Nós cegos, e doídos, extremamente doídos!
Quando volto pro meu mundo, logo devo me despedir. Estou nas palavras só de passagem - nem eu mesmo tenho horário em minha agenda. Faz parte da vida segurar o fôlego quando mergulhamos nesse profundo mar. São dois caminhos: ou nos afogamos, ou voltamos pra superfície - mesmo que seja só pra tomar um pouco de ar e logo imergir. Que o oxigênio continue me esperando, beirando essa margem líquida da minha falta de freio.


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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

As batidas do relógio-coração.

Amanhã é um longo dia. Até agora indecifrável e inimaginável. Distante, doente, inconstante, influente... O amanhã é uma surpresa que um dia vai falhar a rotina. É uma certeza que em um piscar de olhos vai perder o gosto de vida que um dia teve. O amanhã? Ele praticamente não existe.
Todo o momento que passa é blindado - ele passou, ele está seguro. Certamente existiu, mas nunca mais voltará. Fica talvez na memória desbotada de nossas cabeças relapsas que esqueceram do almoço da semana passada. O passado, coitado, tão ignorado, mas muitas vezes doloroso e um tanto nostálgico. O que se foi pelo moinho da vida machuca muito mais do que a própria realidade muitas vezes. A lembrança do passado inquieta o presente, ansioso roendo as unhas a esperar os resultados. Mas e o presente? Tão rápido, mal podemos sentir seu balançar. Ofegantes, tentamos alcançá-lo, mas é demasiado agitado, e suas tribulações só nos fazem sacudir de um lado a outro, à espera da calmaria no futuro, e do entendimento quando tudo passar... Quando já for passado.


É como se todos fossem um só. Sim, todos são um só. Um ser. Malévolo, bondoso, não sei. Um redemoinho que nem mesmo ele deve se entender - tempo que nos é roubado, e na hora do repouso, nem cientes estaremos do que foi que aconteceu. Um vislumbre - do ventre ao pó, da carne à terra, da vida à morte. Que breve passagem essa nossa.
Mas se um dia, no ápice de meus sonhos, por algum motivo me deparar com esta figura que disseram para chamar de Tempo, a mão eu lhe daria a fim de que me concedesse uma última dança.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Sufoco.

Talvez o sufoco, essa falta de ar puro e feliz seja uma boa situação para as palavras trancafiadas conquistarem liberdade. Canso meus pensamentos tentando solucionar fatos que ainda não existem. E, em um belo dia, que de belo só tinha a palavra na expressão irônica, o balde vem. Gelado, imobilizador, congelante. Meus passos começam a ser milimetricamente contados, tamanha é a dificuldade de executá-los de uma maneira real. Passei a habitar em terra que não tem dono. Coração de ninguém. As coisas não têm o mesmo sentido.
Mas palhaçada mesmo. O pior veneno é a palavra que me soa verdadeira. Porque nela confio cegamente. E cegamente me enlaço em um redemoinho de ilusões sádicas. Sentimentos virtuais - pouco, muito pouco palpáveis.
A espera cega - a espera sem razão. Não é bom ser marionete. Não, é péssimo ser marionete. Nunca vou ser marionete. Ok, já fui. Alguma vez. Algumas vezes. Enfim, marionetando a gente aprende a se amar mais. A se cuidar mais. Deixar as bipolaridades lá no canto delas, e focar no pólo felicidade.
Também me dói a inércia. A carência de horizontes. Sem perspectiva, não há o que se contemplar. Atitude: eu admiro quem tem.
A raiva tomou minhas mãos e precisei escrever. Estrangulada pelo enjoo é como me sinto. Não consigo, nem por um momento, tranquilizar meu coração. Essa linha da vida... Pondo tudo no lugar inesperado, errado, confuso e retorcido. Contorcido. Nem sei mais por onde começar. Nem sei mais como se começa.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Do amor verdadeiro.

Começamos a falar e falar, e parece que todas as frases tomam nosso corpo como se fossem oxigênio. Sentimento vivo pulsando nas veias.
Tento e tento mas não parece funcionar. Meu coração, que nem as palavras conseguem preencher, fica vagando de uma lado a outro, procurando em outro pulsante um recanto pra se amornar. Quando não se está apaixonado, corre-se muito. Mas eu sei bem que esse avalanche de experiências que vivemos no amor tem sua hora.

O amor... Não é simplesmente uma escola onde há rodízio de professores que alguns erroneamente chamam de ex-namorados, ex-namoradas, enfim, os que já foram. Não é um corpo que se usa, abusa, vira do avesso e do avesso denovo para acabar abandonando e dizendo: "O problema sou eu.". Amor não é explodir por alguém, matar por alguém, enlouquecer por alguém. Isso é imaturidade e obsessão. Amor é suave, doce, com cheiro de morango fresco. Amor é mais que sentir a pele do outro. Amor é sentir o jeito do outro, o sorriso do outro, o defeito, a dor, tudo o que puder vir de dentro do outro e ele compartilhar com você.
Não existe amor carnal. Existe paixão, fogo de palha que se espalha e logo se retém. Existe estardalhaço, que faz bagunça na casa toda, mas logo, logo um grito já resolve tudo e todos se esquecem.
O amor é o sentimento que veio primeiro por parte dAquele que nos criou. Por isso deve ser lindo, zelado e mantido o mais puro possível, para que não se perca seu fim. 
Amor de verdade, esse sim eu quero um pra mim.
Um, e ponto. Sem alardes, sem testes nem aprendizados com professores desinteressados. Aprendo com Aquele que me amou primeiro e deu a vida por mim. Foi gentil, amável, perdoou-me e eu lhe amo. Que todos nós saibamos um dia o que o amor real é capaz de nos fazer sentir.