segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Mas e esta ausência.
Peço que desculpem-me pela negligência que apresento nestes últimos dias vazios. Mas o caos deste mundo em decadência tem me sugado para uma rotina de desprazeres e agitações das quais não consigo nem posso fugir. O que me resta é esperar pelo fim desta centrifugação em minha vida que me separa cada vez mais do meu ser e do meu lar. Volto em breve para relatar a confusão desses dias e não volto sozinha, pois ainda vem comigo o começo de tudo, com meus personagens, com minhas utopias, e com tudo o que faz parte de mim.
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Sobre a solidão.
No último post, comentei sobre a independência. Lembrando que minhas palavras não se referem somente à independência material, pelo contrário, refiro-me a independência espiritual, para mim tornada fundamental.
Enfim, este pobre conceito de independência remeteu-me também ao seu lado escuro, como todo tem: a solidão. Triste começo e fim dos viventes e sobreviventes neste mundo, é a sina que trazemos conosco ao nascer. Todos a têm, e apesar de sua banalidade, faz-se diferente em cada coração. No gosto, nos gestos, no jeito, no júbilo. Uma arte em comum, incomum, inegável e incondicional.
Indivisível, incompartilhável, ininteligível, infernal. Ah, que tristeza, que maldade do mundo este sentimento! O que demoro a ver é que, mesmo quando estou satisfeita ao lado dos que amo, que quero bem, ainda assim estou sozinha. Ainda assim, a solidão está presente. Mesmo rindo, amando, sendo amada, o negrume deste isolamento involuntário invade a alma quando penso no que sou e no que faço. Atriz da vida, em um palco desestruturado, deixo-me levar pela consciência de que se está só, mas o brilho da vida ainda brota em mim como as flores de um jardim que, mesmo poluído pelo mundo, continua na esperança de que surja alguém para regá-lo como se deve, florescendo e encantando, sobressaltando-se sobre qualquer nojo que haja entre estes.
"Tal com a Flor de Lótus cresce da escuridão do lodo para a superfície da água, abrindo sua flores somente após ter se erguido além as superfície, ficando imaculada de ambos, terra e água que a nutriram. Do mesmo modo a Mente, nascida do corpo humano, expande suas verdadeiras qualidades (pétalas) após ter se erguido dos fluídos turvos da paixão, ego e ignorância, e transformando o poder tenebroso da profundidade no puro Néctar Radiante da Consciência Iluminada."
Fica a letra da música "Esconderijo", de Ana Cañas, música que amo.
Procuro a solidão
Como o ar procura o chão
Como a chuva só desmancha
Pensamento sem razão
Procuro esconderijo
Encontro um novo abrigo
Como a arte do seu jeito
E tudo faz sentido
Calma pra contar nos dedos
Beijo pra ficar aqui
Teto para desabar
Você para construir
Como o ar procura o chão
Como a chuva só desmancha
Pensamento sem razão
Procuro esconderijo
Encontro um novo abrigo
Como a arte do seu jeito
E tudo faz sentido
Calma pra contar nos dedos
Beijo pra ficar aqui
Teto para desabar
Você para construir
domingo, 10 de outubro de 2010
Independência.
Ponto de equilíbrio entre a vida e a morte. Sigo na crença que independência é o grito de guerra dos viventes. Depositando o peso do corpo nos próprios pés, reconhecendo vossa identidade como real e única e compreendendo o mundo como parte de vós, e não o contrário. Em uma terra em que corações são dilacerados e mentes são corrompidas, os que se mantém na fé do triunfo próprio são os únicos que se salvam. São perseguidos e apedrejados, julgados, em muitos episódios condenados. Nem tanto sofrimento consegue encobrir o gozo proporcionado pela quebra das algemas da alma!
Um sonho pra sonhar sozinho, é a lição da escola da vida. É ensinada aos poucos, mas age como um insight: é o chamado do coração clamante por liberdade. Já não é utopia, mas realidade viva que quando descoberta, gruda nas mãos e nos atos como pólos de um imã. E magnetiza a vida e os passos, que nunca mais os mesmos.
Nunca mais o mesmo corpo, nunca mais os mesmos pensamentos, expõe as dores e os amores, assume conduta e fortalece o futuro.
Eis que nascem em mim pilastras do sucesso e de mim mesma! Pois agora sou minha própria base e estrutura, tronco de meus feitos e dona de cada escolha. O caminha agora é meu, o rumo quem decide sou eu, não quero um alicerce, quero um acompanhante. Veio o meu tempo de glorificação, de abrir os olhos para a dádiva que sempre fui e nunca transpareci; o que todos já sabem, é hoje que venho ver. E trago agora a postura ereta, a mente serena, o coração transbordando amor próprio.
Onde tu estavas que só agora te achei, ó bela divindade? Já me cansava viver negando a parte bonita, a única parte de mim.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Mulheradagem.
Complicadas, neuróticas, possessivas, obsecadas! Lindas, inteligentes, frágeis, delicadas, refinadas! Deus do Céu, como pode tantas qualidades em um sexo apenas? Ser mulher exige muita força e muita responsabilidade. Muita disciplina e auto-controle, muita paciência e cuidado. Até porque foi sobre as mulheres que caiu a lenda da loira burra, das motoristas avoadas e da barriga no fogão. Mas o que os hipócritas machistas esquecem é que são elas que trazem no ventre a maior dádiva do mundo, o tesouro mais sagrado existente: a vida. Claro que sem os homens isto não seria possível, mas aí é que está: homem e mulher se completam pelo simples fato de existir. Não é necessário um ter mais dinheiro ou mais fama para que o outro se renda aos seus encantos. Nos rendemos no momento em que nos identificamos.
Nossa vida é uma eterna provação, e nós, mulheres, tentamos a todo e qualquer instante provar ao mundo o que somos e a quê viemos. Espertas, domamos os sentimentos e as mentes alheias, mas o melhor de tudo é que não o fazemos por ganância, mas sim por instinto. Comovemos com nossa fragilidade e delicadeza, quase sempre proporcionais à força de luta que trazemos conosco onde quer que estejamos.
E se for pra aproveitar o tempo, sabemos muito bem. Temos voz e temos vez, somos mais donas de nós do que nunca, e hoje palavra de mulher é lei. "Com licença que estamos passando", é só o que falta dizer pra quem ainda se surpreende com o domínio feminino.
Malandragem pode sim, ser o nosso nome se assim quisermos. Olhem pra gente! Somos uma obra de arte, nosso corpo é maravilhoso, somos delineadas, sedutoras, verdadeiras feiticeiras disfarçadas. Disfarçadas ou não, até porque nem precisamos esconder algo que já está na cara. Somos do bem, somos do mal, somos tudo o que quisermos e tudo o que pudermos, afinal, mulher é assim: obediente no começo, chefona no fim.
"E hoje eu vou pegar o carro e dar uma volta, quem sabe volte, quem sabe vá."
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Chapeleiro Maluco.
O medo de morrer, a psicose pela vida, a conduta neurótica e dissimulada que permite todas as condições necessárias ao viver. Até mesmo ao morrer. Ainda matando, vejo tanto como um bem!
Não machuca (nem tanto) como o amor, não nos doma como o ódio. Mantém-se entre a felicidade e a doença, e somos nós, somente nós que decidimos para que lado pendê-la, se assim quisermos.
Enfrentar a vida como um palco, ser o artista do próprio espetáculo e não esperar pelo óbvio e sim pelo possível, missão de todos mas realizada por poucos.
É alimento da alma, é canto, é dança, é riso, é vida! Loucura saudável, nos tira os pés do chão e faz-nos flutuar na realidade. Enquanto o pessimismo toma o coração dos ansiosos e dos violentos, este desatino nos pulsa no mundo e cura as feridas da gente, às vezes com outras feridas, mas quem não vive sem? É a vontade de estancar o sangue da dor que impulsiona a nossa mente e os nossos pés.
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