terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Da tua admiradora secreta.

Vi você de longe hoje. Você não me viu porque provavelmente nem me conhece. Eu diria que com certeza você não me conhece. Mas não importa muito, desde que eu ainda possa te admirar de longe.
É bem verdade que cada vez que você sorri eu gostaria de morar dentro daquelas suas covinhas, porque pra mim é o lugar mais bonito do seu corpo. Mas não recusaria a oportunidade de descobrir você por inteiro – descobrir seu peito nu e chegar perto da batida do seu coração, que provavelmente bate no ritmo da sua voz quando canta, que eu ouço com textura de veludo.
Eu fico olhando pro teu rosto e descubro que ele é a minha fotografia favorita no mundo. Tua beleza é a poesia que eu não canso de ler, daquelas que dá vontade de tatuar pelo corpo inteiro – tua paz nos movimentos dos braços e teu jeito de se acomodar na cadeira são minha dança preferida. Ficaria horas parada apenas te vendo caminhar, sentar, levantar, ajeitar o cabelo – esse teu cabelo! Talvez seja uma versão masculina heroica da Medusa. Não sei explicar de um jeito melhor a hipnose que tu me causas.
Se eu tivesse te conhecido com 13 anos, já teria escrito uma música pra você na última folha do meu caderno. Já teria entrado em comunidades do Orkut pensando em você. Teria passado noites imaginando como seriam nossas primeiras conversas. Teria começado a ouvir uma banda que você gosta muito. Mas eu te conheci agora. Ainda assim, eu olho pra você e imagino nós dois entrando numa loja de decoração e comprando almofadas pra enfeitar nosso sofá. Imagino nós dois terminando um filme e discutindo mil teorias sobre ele. Imagino nós dois cantando juntos e um pro outro, com a sede do amor no olhar. Imagino nós dois, apenas.
Talvez eu passe a vida só imaginando. Talvez não. Mas me basta a paz de saber que existe uma beleza tão pura e tão rara no mundo como a tua. Basta a certeza de que tu estás presente em algum lugar. Basta a mim a calmaria de saber que posso te ver de longe hoje, amanhã e depois. Basta a mim te ver.

Da tua admiradora secreta.


sábado, 13 de agosto de 2016

Os olhos nus.

Sem intenções. Sem novidades. Estavam apenas nus, aqueles olhares. Dois desconhecidos que ergueram os olhos ao mesmo e tempo e se descobriram perplexos ao se encararem forçadamente.

É curioso como o olhar nos entrega. Não é à toa que chamam os olhos de “janelas da alma”. Quando fitamos sem querer alguém que também encontra nossos olhos sem intenção, é como se as janelas estivessem com as cortinas abertas e lá no cômodo alguém troca de roupa furtivamente, na tentativa de não ser pego em flagra. E assim como rapidamente se desvia o olhar, rapidamente se fecham as cortinas na tentativa de que o embaraço seja amenizado, como se fosse um grão de areia ao invés de um elefante desengonçado entre as duas grandes janelas.

O porquê de desviarmos o olhar tão pasmos como se tivéssemos sido invadidos, não sei. Mas sei que congelo cada vez que meu olhar se descobre nu sobre a nudez de outro par de olhos – uma intimidade repentina, um soco na boca do estômago, uma cilada, Bino! – e fico me perguntando se é um sinal do universo ou coisa parecida cruzar duas janelas distantes ao mesmo tempo. Quem sabe seja essa a agulha no palheiro do mundo dos olhares.

Talvez seja utopia, mas espero que um dia estejamos preparados para olhar o mundo de maneira nua e despretensiosa, sem medo de sermos pegos por outros olhares nus. Sem mascarar nada. Sem que precisemos fechar as cortinas, porque da janela só se verão coisas bonitas.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Você é insubstituível, mas não imprescindível.

Escrevi uma mensagem de texto pra você. Reli pela quarta vez. Movi meu dedão pra chegar próximo ao botão “enviar”. Desisti. Apaguei o terceiro projeto de te chamar. Não via sentido. Aos poucos, a vontade de querer você por perto vai morrendo.

Parece uma flor mesmo essa coisa de gostar de alguém. Vai perdendo a cor, o cheiro bom, a postura e a vida se a gente não nutrir. Até que perde a graça e você nem sabe mais de onde tirou água pra dar de beber a um sentimento que hoje não faz o mínimo sentido pra nenhum dos dois.

Hoje à tarde passei naquela rua que nos despedíamos. Você ia pro trabalho, eu pra faculdade. Pensei em como uma pessoa pode mudar o sentido de algumas coisas quando estamos dispostos a deixar ela brotar pelas paredes da nossa vida feito hera. Uma rua! Uma rua que agora está marcada por beijos de despedidas, desejos de “boa aula!” e “bom trabalho!” e olhares de saudade antecipada. Uma rua onde o amor passou e deixou cair suas pétalas.

Ninguém vai passar por aquela rua comigo da maneira como você passou. Ninguém vai parar naquela esquina e despejar amor em mim como você despejou. Mas eu vou passar naquela rua mais mil vezes e talvez por mil vezes eu lembre de nós dois. Ou talvez por quinhentas vezes. Ou trezentas e doze vezes. Talvez algum dia eu passe por essa rua com alguma amiga indo comer cachorro quente e nem me lembre de você ao cruzar a esquina. Ou talvez eu passe por ali com um novo alguém, que não vai despejar amor em mim como você, mas vai despejar de outro jeito e tenho certeza que vai fazer meu coração pular tanto quanto você fez. O fato é que vou encontrar outros jeitos de passar por aquela rua e a vida vai seguir florescendo como quando passava por ali antes de você.

Ninguém vai ser você. Ninguém vai rir como você ria, nem vai me enlouquecer como você me enlouquecia, ninguém vai me deixar brava como você me deixava. Ninguém vai ser a flor no meu jardim que você era. Mas com tanto espaço para novas mudas, não há motivos pra lamentar a sua partida. O jardim sobrevive sem você, mesmo que vá sentir sua falta. Sei que em algum momento, uma semente inesperada dará uma flor tão linda que o resto vai parecer somente grama desidratada. E é por isso que você é insubstituível, mas não imprescindível. O amor pode dar botão de flor a qualquer momento, é só preparar a terra e contar com os bons ventos.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Teias e fundos falsos.

Fazia tempo que eu não escrevia algo. Acho que fazia tempo que eu não me sentia embaralhada como me sinto agora.
Ainda tô me acostumando com a ideia de que confusão dentro da gente sempre vai existir. É como se tivéssemos uma gaiola fixa nas nossas profundezas pessoais só pra aprisionar essa bagunça que não sabe se resolver e nem a gente sabe o que fazer com ela. Não existe a opção "deletar", e se você for parar pra pensar bem, não deletou nada de você. A gente consegue afastar o que ou quem nos faz mal, mas apagar não. Porque apagar os outros é se apagar também.
De certo modo, a nossa bagunça é a bagunça do mundo inteiro. Somos tudo. Somos todos. Nada escapa da gente. Somos aquela teia de aranha. Fazemos parte dela, mas também somos ela toda, por inteiro.
Talvez então façamos todos parte da mesma confusão. O mesmo caos, os mesmos porquês, os mesmos fundos falsos que vamos descobrindo juntos. Todos somos um eterno fundo falso, cheio de subjetividades e camadas a serem descobertas uma a uma. E assim como a teia, somos o fundo falso por inteiro e principalmente cada uma de suas partes. Somos nós todos o mesmo. Somos um grande, engenhoso e misterioso fundo falso.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Covarde coração.

Eu sempre me julguei muito corajosa. Sempre busquei ser o tipo de pessoa que não precisa falar escondido ou pelas costas. Que cutuca o ombro do inimigo e fala as verdades na cara. Que toma fôlego pra chegar no cara que tá afim. Meus pensamentos se resumem em tentar ser honesta comigo mesma. E então eu percebi que meu coração não me faz corajosa quando estou apaixonada. Ele ata minhas mãos e sussurra que “Pelo amor tudo vale a pena.”. Não é bem assim.
Não vale a pena tentar sozinha, não vale a pena espalhar gentileza se não há retribuição. A prioridade não é o outro, sou eu. Mas esse outro maldito é tão fofo e eu gosto tanto... Pois é. Mas gosto muito menos de nunca sentir o mágico “Sou especial”, de ser o eterno segundo plano e perder pra qualquer coisa que aparentemente dê um tipo de retorno para outrem. Temos sim que ser humildes no amor, mas não precisamos ser humilhados. Não precisamos ser a única parte romântica, a única parte carinhosa, a única parte que se arrepende e pede desculpas.
This is where I come to cry 😭Entendam que não penso que deva ser uma questão de “dar para receber”. Mas qual amor que sobrevive sem ser valorizado? Existe muito amor na insistência, mas paciência tem limite, e amor próprio deveria ter também. Assim como não acredito que um deva ser o contrário do outro. Sempre esperamos encontrar afinidades em alguém. Em relacionamentos amorosos, afinidade não é só gostar das mesmas músicas e torcer pro mesmo time. Afinidade não é só ser ouvido, é saber ouvir e principalmente se mostrar interessado. É ser generoso. É ser observador e fazer alguma coisa com tanta observação! É agradar, é surpreender, é medir as palavras. É reconhecer que errou primeiro, ou que errou segundo, sei lá! Simplesmente entender que errar pode não ser uma fraqueza, mas uma lição. É entender que caminhar junto é bom e que amar não enfraquece ninguém em nada. Amar não é abandonar faculdade, emprego, família, amigos, casa, carro ou mais mil coisas. Amar é ter e fazer todas essas coisas e poder conversar com alguém sobre elas no fim do dia. Quando a gente se apaixona, esquece que existe um mundo lá fora. Tudo vira confete porque minutos antes estávamos trocando mimos com o amado ou a amada. Mas existem pessoas que quando se apaixonam, ficam com medo. Amam menos porque receiam “esquecer-se do resto”. Usam tanto o conta-gotas com o coração, que esquecem as lágrimas que estão provocando nos corações alheios. Mas aí o conta-gotas muda de mão e o amor vai morrendo desidratado. É preciso coragem pra buscar água em outro poço. Coragem.