sábado, 24 de janeiro de 2015

Teias e fundos falsos.

Fazia tempo que eu não escrevia algo. Acho que fazia tempo que eu não me sentia embaralhada como me sinto agora.
Ainda tô me acostumando com a ideia de que confusão dentro da gente sempre vai existir. É como se tivéssemos uma gaiola fixa nas nossas profundezas pessoais só pra aprisionar essa bagunça que não sabe se resolver e nem a gente sabe o que fazer com ela. Não existe a opção "deletar", e se você for parar pra pensar bem, não deletou nada de você. A gente consegue afastar o que ou quem nos faz mal, mas apagar não. Porque apagar os outros é se apagar também.
De certo modo, a nossa bagunça é a bagunça do mundo inteiro. Somos tudo. Somos todos. Nada escapa da gente. Somos aquela teia de aranha. Fazemos parte dela, mas também somos ela toda, por inteiro.
Talvez então façamos todos parte da mesma confusão. O mesmo caos, os mesmos porquês, os mesmos fundos falsos que vamos descobrindo juntos. Todos somos um eterno fundo falso, cheio de subjetividades e camadas a serem descobertas uma a uma. E assim como a teia, somos o fundo falso por inteiro e principalmente cada uma de suas partes. Somos nós todos o mesmo. Somos um grande, engenhoso e misterioso fundo falso.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Covarde coração.

Eu sempre me julguei muito corajosa. Sempre busquei ser o tipo de pessoa que não precisa falar escondido ou pelas costas. Que cutuca o ombro do inimigo e fala as verdades na cara. Que toma fôlego pra chegar no cara que tá afim. Meus pensamentos se resumem em tentar ser honesta comigo mesma. E então eu percebi que meu coração não me faz corajosa quando estou apaixonada. Ele ata minhas mãos e sussurra que “Pelo amor tudo vale a pena.”. Não é bem assim.
Não vale a pena tentar sozinha, não vale a pena espalhar gentileza se não há retribuição. A prioridade não é o outro, sou eu. Mas esse outro maldito é tão fofo e eu gosto tanto... Pois é. Mas gosto muito menos de nunca sentir o mágico “Sou especial”, de ser o eterno segundo plano e perder pra qualquer coisa que aparentemente dê um tipo de retorno para outrem. Temos sim que ser humildes no amor, mas não precisamos ser humilhados. Não precisamos ser a única parte romântica, a única parte carinhosa, a única parte que se arrepende e pede desculpas.
This is where I come to cry 😭Entendam que não penso que deva ser uma questão de “dar para receber”. Mas qual amor que sobrevive sem ser valorizado? Existe muito amor na insistência, mas paciência tem limite, e amor próprio deveria ter também. Assim como não acredito que um deva ser o contrário do outro. Sempre esperamos encontrar afinidades em alguém. Em relacionamentos amorosos, afinidade não é só gostar das mesmas músicas e torcer pro mesmo time. Afinidade não é só ser ouvido, é saber ouvir e principalmente se mostrar interessado. É ser generoso. É ser observador e fazer alguma coisa com tanta observação! É agradar, é surpreender, é medir as palavras. É reconhecer que errou primeiro, ou que errou segundo, sei lá! Simplesmente entender que errar pode não ser uma fraqueza, mas uma lição. É entender que caminhar junto é bom e que amar não enfraquece ninguém em nada. Amar não é abandonar faculdade, emprego, família, amigos, casa, carro ou mais mil coisas. Amar é ter e fazer todas essas coisas e poder conversar com alguém sobre elas no fim do dia. Quando a gente se apaixona, esquece que existe um mundo lá fora. Tudo vira confete porque minutos antes estávamos trocando mimos com o amado ou a amada. Mas existem pessoas que quando se apaixonam, ficam com medo. Amam menos porque receiam “esquecer-se do resto”. Usam tanto o conta-gotas com o coração, que esquecem as lágrimas que estão provocando nos corações alheios. Mas aí o conta-gotas muda de mão e o amor vai morrendo desidratado. É preciso coragem pra buscar água em outro poço. Coragem.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Sobre sonhos e saudades.

Vim dizer que eu sonhei com vocês. Foi domingo passado, e eu sonhei que era verdade, sonhei que eu estava em São Paulo e que eu estava com todos bem pertinho de mim. Eu dizia: “Dessa vez não é sonho, é real! Eu estou aqui com vocês!” Eu fui na faculdade, encontrei com um pessoal, ri um pouco, mas estava ansiosa pra ver vocês logo. Era a hora do almoço, então entrei no refeitório e fui direto na nossa mesa, mas ela estava vazia. Fiquei zanzando perto dos balcões, procurando por algum rosto conhecido,  quando meu telefone tocou. Era a Ju. Ela estava me dizendo que o pessoal não estava no colégio, e que estavam indo se apresentar em outra cidade. Fiquei desapontada, houve uns instantes de silêncio, mas ouvi do outro lado da linha um “Tô zuando” e naquele instante, meu coração sabia que ia sofrer por alguns minutos. Ela disse pra eu olhar à direita. A voz dela estava embargada. Foi aí que vi vocês. Estávamos emocionados, e quando a Ju se levantou pra vir me abraçar, uma cachoeira de saudade saiu pelos meus olhos.
Acordei com o coração apertado, e estou naqueles momentos de saudade pensativa, aqueles que só vocês sabem me fazer deixar pra lá. Sei que as histórias se modificam, sei que elas se reinventam e se reescrevem constantemente. Sei que a história que eu vivi não é a mesma que vocês vivem hoje. Não é o mesmo cenário, não são os mesmos personagens, talvez algumas características permaneçam, mas não é mais como eu conheci. Mas por mais estranho que seja esse novo enredo pra mim, não importa tanto. Não importa porque eu me apaixonei pela essência de cada um de vocês, não pelo resto. Sou apaixonada pela cumplicidade, pelo carinho, pela alegria que vocês me proporcionaram. Sou apaixonada pelas confidências, pelas brigas, pelas risadas que compartilhamos. Sou apaixonada por todas as coisas maravilhosas que vivi com vocês. Amo cada um com todas as minhas forças, e sou extremamente grata por vocês terem me mostrado o que é uma amizade verdadeira. Sou ainda mais grata por terem sido tantas, tão lindas e tão fortes.
Vocês só precisam lembrar que eu vou sentir a falta de vocês pra sempre, porque eu entreguei um pedaço do meu coração pra cada um e não estou disposta a recebê-lo de volta, pois estou certa de que ele está em boas mãos. E quando sentirmos saudades, vamos relembrar as risadas, as brincadeiras, os abraços, as confissões, as desculpas e até as conversas sérias que tivemos. E saibam que quando eu lembrar, eu vou ter certeza de que foi real, e assim como naquele domingo, vou saber que vocês são o sonho mais lindo que eu já tive.

(Texto dedicado a Katy, Brenda, Juliana, Thamires, Lucas, Thiago, Marcos, Felipe, Patrícia, Bárbara, Danilo, Ingrid, Gabriel Henrique, Franklin, Kaike e Renato.)

P.S.: Essa foto foi de um dia que passamos juntos. Escolhi ela porque não tem como disfarçar a alegria no meu olhar. É assim que eu quero que vocês se lembrem de mim sempre.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Sobre liberdade, trajetos e carros.

Quase todos os filmes feitos para adolescentes e jovens adultos trazem alguma cena que expressa “liberdade”. Seja dirigindo e cantando alto, seja vendo o nascer do sol com os amigos. A formatura do ensino médio, ver as estrelas com o namorado... Algo nesse sentido. E tenho a liberdade de dizer – ou penso ter – que todo ser humano já teve a sensação de se libertar até mesmo de si. Existe essa vontade de querer voar sabe-se lá pra onde, gritar até cansar, como se isso fosse estraçalhar a ansiedade que existe dentro da gente em algum lugar. Chorar até esgotar a dor ou a ânsia ou o pavor, não sei. Em mim existe de tudo um pouco, e tento me convencer que essas coisas, na verdade, sempre existiram, só estão mais acentuadas. Dá pra acreditar nisso? Quando eu lembro que houve dias sem tantas lágrimas, sem tanto desespero e sem tanta angústia, eu digo que não, não dá pra acreditar.
Talvez - e digo isso sem tanta convicção – seja assim mesmo. Talvez essas coisas sempre tenham existido. Talvez os problemas dos outros sejam tão grandes quanto os nossos, ou maiores. Mas vou ser muito mentirosa se disser que consigo entender isso completamente. Quando é a sua vez de sentir as coisas, você descobre que não é tão altruísta assim. Eu pelo menos sei que não sou, e assumindo isso não quero ser nenhuma detentora da verdade ou da humildade. O intuito, na verdade, é identificar meus irmãos de “egocentrismo”. Não estou sozinha, sim?

Houve um tempo em que eu sonhava frequentemente que estava dirigindo e todas as vezes que sonhei isso, lembro-me de estar nervosa diante do volante, e sempre batia o carro. Uma vez, minha mãe me disse que esse sonho tinha algo relacionado à liberdade. Deduzi por isso que “Liberdade não é meu forte. Não agora, Elena. Agora você vai bater e se machucar.” E aí? E aí que eu teria que encarar uma batida, um arranhão, um braço quebrado ou qualquer consequência dessa batida. Isso era demais pra mim. Porque arriscar? Hoje eu acho que se eu estivesse no volante, eu talvez quisesse bater. Ou precisasse bater. Ou quem sabe nem batesse de primeira. O fato é que mais cedo ou mais tarde, eu bateria o carro. Eu me machucaria, e talvez nem precisasse estar no volante pra me machucar, porque se eu deixasse outra pessoa dirigir, o risco de algum acidente acontecer era o mesmo, simplesmente porque todo mundo tem seu baque algum dia. Se isso afeta ou não outras pessoas, depende do baque e claro, de como o trajeto é feito. Agora, se eu batesse, do que me importaria os outros carros batidos? O meu estava batido! O que me faria pensar em olhar para ver se alguém estava mais ferrado do que eu? Nada mais teria minha atenção. Aqui estamos nós no egocentrismo de novo. Como eu gostaria de achar minha grama mais verde nesse momento!

E sabe de uma coisa? Embora existam todos esses perigos, o risco de fazer a escolha errada, o risco de não conseguir sozinha de primeira, existe o risco de ser livre. Livre que nem a gente fica quando olha as estrelas com o namorado, ou quando a gente canta “Man! I Feel Like a Woman” alto no carro – carros são o forte desse texto, hein? – ou quando a gente vê o nascer do sol com os amigos. Livre como quando a praia é só nossa ou quando nosso quarto é pequeno mas está tocando aquela música, e ouvindo ela é como se só existisse você e a sua liberdade no mundo. Não é uma cena de filme adolescente que traduz a liberdade, nem o sonho com o carro batido. Essas coisas, no meu modo de ver, não chegam nem perto da sensação da tão famosa “freedom”. São metáforas que enfeitam textos como esse, mas pra corações aflitos por serem livres, é a maneira mais alegre e palpável pra explicar o que só se consegue sentir. Nesse caso, discordo de Clarice: liberdade pra mim não é pouco. Se vier com um carro de brinde então, negócio fechado.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Sobre acreditar.

O que eu mais quero é acreditar.
Porque ando doente, com o coração debilitado, os olhos lacrimejantes e a cabeça tonta. Por fora sou só risos. Sorrisos que camuflam uma angústia debilitante.
O que eu mais quero é acreditar que nem tudo é em vão, que o amor também existe pra mim e que a tormenta um dia vai passar. Quero amor declarado, escancarado, quero acreditar que não sonho sozinha.
Tenho em mim um abismo que clama para que eu me atire pra ele. Talvez seja ele o único no mundo que está disposto a me receber e me absorver de corpo e alma. Talvez só esse abismo, que contém tudo e contém nada, talvez só ele desembarace os nós dessa dor. Talvez só ele me ame de verdade. Se ele me amar, o que eu mais quero é acreditar.
Eu estou fraca e assustada. Não consigo amar e preciso desesperadamente ser amada. Surpreendida. Impactada. Laçada. Conquistada.
O que eu mais quero é acreditar que ainda há espaço pra tudo isso, mesmo com toda a bagunça que anda esse meu coração. Quem vai lutar por mim? Quem vai me escrever bilhetinhos? Quem vai me dar um abraço sem motivo no meio da tarde? Quem vai ouvir meus medos e acalmá-los? Eu não quero gritar, eu não quero implorar. Eu só quero esperar. Eu quero que alguém me ajude a acreditar. Você ainda está aí?