terça-feira, 1 de julho de 2014

Sobre sonhos e saudades.

Vim dizer que eu sonhei com vocês. Foi domingo passado, e eu sonhei que era verdade, sonhei que eu estava em São Paulo e que eu estava com todos bem pertinho de mim. Eu dizia: “Dessa vez não é sonho, é real! Eu estou aqui com vocês!” Eu fui na faculdade, encontrei com um pessoal, ri um pouco, mas estava ansiosa pra ver vocês logo. Era a hora do almoço, então entrei no refeitório e fui direto na nossa mesa, mas ela estava vazia. Fiquei zanzando perto dos balcões, procurando por algum rosto conhecido,  quando meu telefone tocou. Era a Ju. Ela estava me dizendo que o pessoal não estava no colégio, e que estavam indo se apresentar em outra cidade. Fiquei desapontada, houve uns instantes de silêncio, mas ouvi do outro lado da linha um “Tô zuando” e naquele instante, meu coração sabia que ia sofrer por alguns minutos. Ela disse pra eu olhar à direita. A voz dela estava embargada. Foi aí que vi vocês. Estávamos emocionados, e quando a Ju se levantou pra vir me abraçar, uma cachoeira de saudade saiu pelos meus olhos.
Acordei com o coração apertado, e estou naqueles momentos de saudade pensativa, aqueles que só vocês sabem me fazer deixar pra lá. Sei que as histórias se modificam, sei que elas se reinventam e se reescrevem constantemente. Sei que a história que eu vivi não é a mesma que vocês vivem hoje. Não é o mesmo cenário, não são os mesmos personagens, talvez algumas características permaneçam, mas não é mais como eu conheci. Mas por mais estranho que seja esse novo enredo pra mim, não importa tanto. Não importa porque eu me apaixonei pela essência de cada um de vocês, não pelo resto. Sou apaixonada pela cumplicidade, pelo carinho, pela alegria que vocês me proporcionaram. Sou apaixonada pelas confidências, pelas brigas, pelas risadas que compartilhamos. Sou apaixonada por todas as coisas maravilhosas que vivi com vocês. Amo cada um com todas as minhas forças, e sou extremamente grata por vocês terem me mostrado o que é uma amizade verdadeira. Sou ainda mais grata por terem sido tantas, tão lindas e tão fortes.
Vocês só precisam lembrar que eu vou sentir a falta de vocês pra sempre, porque eu entreguei um pedaço do meu coração pra cada um e não estou disposta a recebê-lo de volta, pois estou certa de que ele está em boas mãos. E quando sentirmos saudades, vamos relembrar as risadas, as brincadeiras, os abraços, as confissões, as desculpas e até as conversas sérias que tivemos. E saibam que quando eu lembrar, eu vou ter certeza de que foi real, e assim como naquele domingo, vou saber que vocês são o sonho mais lindo que eu já tive.

(Texto dedicado a Katy, Brenda, Juliana, Thamires, Lucas, Thiago, Marcos, Felipe, Patrícia, Bárbara, Danilo, Ingrid, Gabriel Henrique, Franklin, Kaike e Renato.)

P.S.: Essa foto foi de um dia que passamos juntos. Escolhi ela porque não tem como disfarçar a alegria no meu olhar. É assim que eu quero que vocês se lembrem de mim sempre.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Sobre liberdade, trajetos e carros.

Quase todos os filmes feitos para adolescentes e jovens adultos trazem alguma cena que expressa “liberdade”. Seja dirigindo e cantando alto, seja vendo o nascer do sol com os amigos. A formatura do ensino médio, ver as estrelas com o namorado... Algo nesse sentido. E tenho a liberdade de dizer – ou penso ter – que todo ser humano já teve a sensação de se libertar até mesmo de si. Existe essa vontade de querer voar sabe-se lá pra onde, gritar até cansar, como se isso fosse estraçalhar a ansiedade que existe dentro da gente em algum lugar. Chorar até esgotar a dor ou a ânsia ou o pavor, não sei. Em mim existe de tudo um pouco, e tento me convencer que essas coisas, na verdade, sempre existiram, só estão mais acentuadas. Dá pra acreditar nisso? Quando eu lembro que houve dias sem tantas lágrimas, sem tanto desespero e sem tanta angústia, eu digo que não, não dá pra acreditar.
Talvez - e digo isso sem tanta convicção – seja assim mesmo. Talvez essas coisas sempre tenham existido. Talvez os problemas dos outros sejam tão grandes quanto os nossos, ou maiores. Mas vou ser muito mentirosa se disser que consigo entender isso completamente. Quando é a sua vez de sentir as coisas, você descobre que não é tão altruísta assim. Eu pelo menos sei que não sou, e assumindo isso não quero ser nenhuma detentora da verdade ou da humildade. O intuito, na verdade, é identificar meus irmãos de “egocentrismo”. Não estou sozinha, sim?

Houve um tempo em que eu sonhava frequentemente que estava dirigindo e todas as vezes que sonhei isso, lembro-me de estar nervosa diante do volante, e sempre batia o carro. Uma vez, minha mãe me disse que esse sonho tinha algo relacionado à liberdade. Deduzi por isso que “Liberdade não é meu forte. Não agora, Elena. Agora você vai bater e se machucar.” E aí? E aí que eu teria que encarar uma batida, um arranhão, um braço quebrado ou qualquer consequência dessa batida. Isso era demais pra mim. Porque arriscar? Hoje eu acho que se eu estivesse no volante, eu talvez quisesse bater. Ou precisasse bater. Ou quem sabe nem batesse de primeira. O fato é que mais cedo ou mais tarde, eu bateria o carro. Eu me machucaria, e talvez nem precisasse estar no volante pra me machucar, porque se eu deixasse outra pessoa dirigir, o risco de algum acidente acontecer era o mesmo, simplesmente porque todo mundo tem seu baque algum dia. Se isso afeta ou não outras pessoas, depende do baque e claro, de como o trajeto é feito. Agora, se eu batesse, do que me importaria os outros carros batidos? O meu estava batido! O que me faria pensar em olhar para ver se alguém estava mais ferrado do que eu? Nada mais teria minha atenção. Aqui estamos nós no egocentrismo de novo. Como eu gostaria de achar minha grama mais verde nesse momento!

E sabe de uma coisa? Embora existam todos esses perigos, o risco de fazer a escolha errada, o risco de não conseguir sozinha de primeira, existe o risco de ser livre. Livre que nem a gente fica quando olha as estrelas com o namorado, ou quando a gente canta “Man! I Feel Like a Woman” alto no carro – carros são o forte desse texto, hein? – ou quando a gente vê o nascer do sol com os amigos. Livre como quando a praia é só nossa ou quando nosso quarto é pequeno mas está tocando aquela música, e ouvindo ela é como se só existisse você e a sua liberdade no mundo. Não é uma cena de filme adolescente que traduz a liberdade, nem o sonho com o carro batido. Essas coisas, no meu modo de ver, não chegam nem perto da sensação da tão famosa “freedom”. São metáforas que enfeitam textos como esse, mas pra corações aflitos por serem livres, é a maneira mais alegre e palpável pra explicar o que só se consegue sentir. Nesse caso, discordo de Clarice: liberdade pra mim não é pouco. Se vier com um carro de brinde então, negócio fechado.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Sobre acreditar.

O que eu mais quero é acreditar.
Porque ando doente, com o coração debilitado, os olhos lacrimejantes e a cabeça tonta. Por fora sou só risos. Sorrisos que camuflam uma angústia debilitante.
O que eu mais quero é acreditar que nem tudo é em vão, que o amor também existe pra mim e que a tormenta um dia vai passar. Quero amor declarado, escancarado, quero acreditar que não sonho sozinha.
Tenho em mim um abismo que clama para que eu me atire pra ele. Talvez seja ele o único no mundo que está disposto a me receber e me absorver de corpo e alma. Talvez só esse abismo, que contém tudo e contém nada, talvez só ele desembarace os nós dessa dor. Talvez só ele me ame de verdade. Se ele me amar, o que eu mais quero é acreditar.
Eu estou fraca e assustada. Não consigo amar e preciso desesperadamente ser amada. Surpreendida. Impactada. Laçada. Conquistada.
O que eu mais quero é acreditar que ainda há espaço pra tudo isso, mesmo com toda a bagunça que anda esse meu coração. Quem vai lutar por mim? Quem vai me escrever bilhetinhos? Quem vai me dar um abraço sem motivo no meio da tarde? Quem vai ouvir meus medos e acalmá-los? Eu não quero gritar, eu não quero implorar. Eu só quero esperar. Eu quero que alguém me ajude a acreditar. Você ainda está aí?

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

O observatório.

Por alguns instantes, ela se sentia plena no observatório. Seus olhos eram os melhores analistas que alguém pode imaginar. Tinha pelo observado um afeto incomum. A admiração não cessava. Por vezes se sentiu meio boba, mas não era o caso. Prescrutava com seus olhos cada ruguinha, cada curva, cada parte daquele homem, que de inédito pra ela não tinha nada. Mas ela amava se refugiar no observatório e admirá-lo de longe, entregando-se cada vez mais por inteiro ao observado.
Não se sabe se era o amor dela que fazia o observado ser tão bonito, ou se esse já o era. Ainda assim, a admiradora se encantava um pouco mais cada vez que usava o observatório. Não entendia muito bem a lógica no Não-Cansaço que o lugar tinha, mas o fato era que não se cansava. Nem ela, nem suas lentes, nem seu coração. Vivia um amor através de um vidro.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Sobre luzes de faróis e agulhas.

Acho que tem uma fase na vida da gente que os amigos são nossos faróis. Iluminam o tantinho do caminho que nos cabe ver; mais que esse tantinho é sacanagem com o futuro. Ele acaba perdendo o emprego numa dessas, então, vamos vendo o necessário pra dar os primeiros, segundos, terceiros passos. De mãos dadas, nunca sozinhos, porque enquanto tem uma luz, temos uma chance. Por falar nisso, não me lembro de ter tido momentos completamente escuros. E sem querer bancar a sabidona, acho que você também não vai lembrar.
No caminho, a gente vai andando e às vezes perambulando e tentando ser mais do que consegue, ver mais do que pode, tropeçar menos do que deve. A gente cai e chora e dói muito, e ninguém realmente entende. Mas alguém vem e nos levanta, e a gente olha pra trás e a pedra parece ter diminuído. Andamos mais um pouco e, como num insight, entendemos que era só uma pedrinha. E aí nem nós mesmos entendemos porque tropeçamos. Só o que se sabe é que sempre haverá uma pedra maior que, na verdade, era pequena também, mas não conseguimos ver com tanta clareza nesses momentos de queda. É como se nos anestesiassem com dor - uma longa e gigantesca agulhada, vinda de todos os cantos, nos suspendendo em um coração apertado. Mas veja só, existem mãos que se dispõe a retirar as agulhas, a dosar a medicação certa, e pronto. Passou. Está passando. Ou vai passar.
Mas eu acho, no fim de tudo, que nossos amigos-faróis-enfermeiros são, na verdade, os simples. Pelo menos, enquanto escrevo, tenho três faróis em pensamento. Calculando bem, remexendo e revirando, entendi que eles conseguem mesmo iluminar o tantinho do caminho e levantar a gente e retirar as agulhas porque é simples como eles. Porque, se a gente estiver com o rosto cheio de poeira por ter chorado e ficado no chão, eles não ligam. Eles simplesmente vêm e te puxam, e dane-se sua sujeira. Ou nem tanto "dane-se a sua sujeira", porque eles vão te levar no colo, dar um banho e elogiar seu perfume, mesmo que seja só isso que tenham dito desde que te levantaram. Eles não precisam de discursos, nem textos, nem sacadas, nem cultura, nem músicas-tema, nem nada que envolva uma foto para mostrar pros outros. Eles só precisam que tire seus adereços. Eles só querem ser simples, sinceros, limpos, justos com você. Eles querem ouvir aquela música sem serem julgados, e querem ouvir as suas só pelo prazer de te ver cantando. Eles querem discutir sobre coisas e medos que nunca vão conseguir contar pro Grande Grupo, porque o Grande Grupo é cruel e esmagador. Eles querem que você cresça, mesmo que você não entenda que isso é necessário. Eles querem que você queira por eles algumas vezes. E, quando eles sabem que você não está em condições de querer, eles estão ali para te ajudar a não bagunçar mais as coisas. Tem tantas Coisas Tão Maiores que o Resto... Mas o Resto nos consome quase por inteiro. O Resto nos faz rudes e mal educados. O Resto nos faz cegos, nos faz gananciosos e preguiçosos. Mas as Coisas Tão Maiores enchem o coração e a sala como o Resto nunca vai conseguir fazer. As Coisas Tão Maiores, que são, na maior parte do tempo, as "coisinhas" só fazem sentido com nossos faróis. Já dizia um príncipe bem pequeno: "O essencial é invisível aos olhos."